Espiritismo: Ciência, Filosofia e Religião

Os resultados do Espiritismo são mais amplos. Além da telepatia, da clarividência e da premonição, afirma a existência de outras percepções (clariaudiên-cia, percepções olfativas, etc.), que revelam o mundo espiritual, colocando-nos em comunicação com ele, e agrupa todas sob a denominação de mediunidade.

A existência do espírito e a sua sobrevivência são alcançadas de várias formas. Por exemplo: pela clari­vidência.

A clarividência é a percepção de um objeto por sensitivos, via mental, sem a mediação do órgão visual. Experiências com objetos e cartas levam à conclusão de sua existência, na própria Parapsicologia. Em ou­tras experiências, os videntes dizem estar se comuni­cando com pessoas vivas distantes e com pessoas que já faleceram. Isso leva à formulação das hipóteses da sobrevivência e da comunicação do espírito que, dessa forma, surgem espontâneas da experiência não de percepções sensoriais, mas de percepções mediúnicas (extra-sensoriais).

Sobre elas estruturou-se o Espiritismo de forma teórico-experimental. ([2] - Cap. 1.°).

Numa comparação podemos estabelecer as di­ferenças entre o conhecimento espírita e o das ciências naturais:

O conhecimento nas Ciências Naturais

O conhecimento no Espiritismo

 

1 - Fundamentados na observação e experiência - na percepção sen­sorial - formulam-se HIPÓTESES.

 

1 - Fundamentados na observação e experiência mediúnicas - na mediunidade  - formulam-se HIPÓTESES.

 


   

2 – Sobre as hipóteses estabelecen-se, dedutivamente:CONSEQUENCIAS (válidas para ambos)

 

 

3 - As conseqüências se­rão aceitas como ver­dadeiras, se confirma­das pela observação e experiência pela percepção sensorial.

 

3 - As conseqüências se­rão aceitas como ver­dadeiras, se confirma­das pela observação e experiência mediúnicas – pela mediúnidade

 

O procedimento é idêntico. A diferença consiste na natureza das percepções consideradas. Desde que fique certificado que as percepções sensoriais e as per­cepções mediúnicas têm a mesma validade, o conheci­mento é igualmente válido.

Assim sendo, o Espiritismo é Ciência de caráter teórico-experimental.

Para ele, a existência, a sobrevivência e a comuni­cação dos espíritos é fato comprovado.

A Doutrina se firma. Sobre seus dados desenvol­ve-se nova forma de atacar os problemas filosóficos: constitui-se nova filosofia. Instaura-se nova conceituação para os problemas morais e as noções religiosas: repõe-se a religião sobre novas bases. Renova-se o co­nhecimento moral e religioso. É codificada por Kardec e sua exposição é apresentada nos cinco livros da co­dificação:

O Livro dos Espíritos  1857 -  O Livro dos Médiuns 1861 - O Evangelho Segundo o Espiritismo 1864 - O Céu e o Inferno 1865 -  A Gênese 1868

a)  Bibliografia

[1] Allan Karedc - O que é o Espiritismo.

[2] Alian Kardec  - A Gênese.

[3] Allan Kardec - Obras Póstumas.

[4] Allan Kardec - O Livro dos Espíritos

 

As hipóteses e as teorias acerca dos fenômenos espíritas — Histórico

Ciência e Religião têm que manifestar-se.

A religião opõe-se ao Espiritismo com atitude dog­mática, inadequada para a explicação de fenômenos, qualquer que seja o campo que se considere. A ciência se opõe por vários motivos:

1.°) a ciência não havia constatado, ainda, que se pudesse ter percepções a não ser pelos senti­dos comuns. A mediunidade, com a qual se pretende o contrário, contrastava com a sua experiência existente;

2.°) entendia ela que as leis físicas eram leis gerais da natureza e que todo e qualquer fenômeno deveria ser explicado por elas. E tais fenô­menos, por elas, são absolutamente impos­síveis;

5.°) a sobrevivência e a comunicação dos mortos não são fatos constatáveis pelos sentidos. Sua afirmação era tida do domínio religioso: preconceitos religiosos. Ciência e Religião concluem, novamente, que tudo não passa de mera imaginação.

Às investigações de Kardec somam-se as de vários cientistas de grande nomeada: de Crookes, Wallace, Lodge, Richet, Delanne, Denis, Flammarion e outros, todos eles contribuindo para o engrandecimento e a divulgação da Doutrina, da qual se declaram adeptos.

Outra tentativa científica estabelecida por Richet A Metapsíquica não se firma, mas prepara o advento da Parapsicologia a versão científica atual de tais estudos e com resultados já universalmente aceitos.

A Parapsicologia conclui pela existência dos fenô­menos, antes negados. Comprova a existência da tele­patia, da clarividência e da premonição, que denomina, conjuntamente, de Percepção Extra-Sensorial. Quanto à explicação, confirma que ela não pode ser dada pelas leis físicas conhecidas (antes, por estas são absoluta­mente impossíveis) e que são regidas por leis ainda des­conhecidas. Suas teorias não ultrapassaram ainda o estágio da formulação de hipóteses.

 

O estudo dos fenômenos espíritas: Histórico

O estudo teórico-experimental dos fatos espíritas iniciou-se com Mesmer e sua teoria do magnetismo ani­mal (1779).

Dizia ele existir um fluido que interpenetrava tudo e que dava, às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã. Afirmava, ainda, que a falta do mesmo em algum órgão era causa de doenças. Dirigindo este fluido, pelo passe, poder-se-ia restabelecer o equilíbrio e efetuar a cura. Dedicando-se à cura por este processo, teve estrondoso sucesso, o que provocou enorme celeu­ma e investigação.

Em 1787, o marquês de Puysegur descobre o sonambulismo. Em 1841, Braid descobre o hipnotismo. Charcot o estuda metodicamente; Liebault o aplica à clínica; Freud o utiliza ao criar a Psicanálise.

Em 1847, em Hydesville, a família Fox, numa casa que passara a habitar, depara-se com ruídos, sons, ba­tidas, que ali se produziam. A jovem Kate Fox esta­belece comunicação com a causa que se declara espírito e afirma ter sido assassinado naquela casa por um an­tigo inquilino, que lhe queria o dinheiro. Mais tarde, descobriram-se os ossos e uma lata do mascate, ficando comprovado o assassinato.

A prática dos fenômenos se difunde rapidamente: mesas girantes, pancadas, movimento de objetos, ma­nifestações inteligentes, visuais, auditivas, de escrita, etc, encerrando as mais variadas comunicações, sobre os assuntos mais diversos, através de pessoas os médiuns que afirmam serem elas provindas de es­píritos.

Denizard Hyppolyte Leon Rivail, professor universitário, educador, autor de obras de gramática, cálculo, aritmética, questões literárias e filosóficas várias adotadas pela Universidade de França, dedica-se ao estudo desses fenômenos e termina por instituir, sob o pseudônimo de Allan Kardec, o ESPIRITISMO. Nele se reconhecem: a existência dos espíritos, a sobre­vivência dos mortos, sua comunicação com os vivos.


Estabelece-se a doutrina dos espíritos a doutri­na ditada por eles. Fixa-se no­vo código moral, nova revelação, uma renovação dos ideais cristãos e um primeiro esforço para o estudo científico dos fenômenos.

 

 

 

Conhecimento dogmático e conhecimento científico (teórico-experimental

 

Para melhor explicar o que se disse no item an­terior, faz-senecessária uma pequena incursão na teoria do conhecimento.

O pensamento científico, tal como é concebido hoje, iniciou-se com Galileu, que o fundamentou na observação e experiência. Antes dele, considerava-se válida toda e qualquer conclusão obtida por raciocínio, a partir de algumas supostas verdades, sem o aval da experiência.

 

A ciência era dogmática, tal qual fora estabelecida pelos gregos. Nestes podemos distinguir entre ciências matemáticas, de um lado, e ciências da natureza, do homem, de Deus, da alma, etc, de outro.

O conhecimento matemático foi desenvolvido pela definição e pela dedução, a partir de indefiníveis (não se pode definir tudo) e a partir de proposições indemonstráveis (não se pode demonstrar tudo). Qualquer conclusão obtida a partir dos postulados, por dedução, era tida como verdadeira.

 

Os gregos elegeram a matemática como modelo de todas as ciências. Toda doutrina da natureza, do ho­mem, ou metafísica (de Deus, da alma, etc.) construída por este modelo, é dita dogmática; as proposições fun­damentais (as equivalentes aos postulados da matemá­tica) denominam-se dogmas. (Nas religiões os dogmas foram estabelecidos na interpretação de suas revela­ções.)

Cedo verificou-se que, fora da matemática, o mo­delo era inadequado. Por exemplo, é da experiência comum que um metal aquecido dilata e que a dilatação é proporcional aos acréscimos de temperatura. Limitadamente a esta ve­rificação poder-se-ia validar a seguinte proposição: po­demos aumentar o comprimento do metal tanto quanto se queira desde que aumentemos a temperatura corres­pondentemente.

Para um dogmático a proposição seria verdadeira; para um físico a proposição o seria desde que, ou de­pois de confirmada pela experiência. E a experiência não a confirma. A uma certa temperatura o metal fun­de e a proposição só é válida dentro de certos limites.

Tais considerações e resultados validaram o conhe­cimento feito nos moldes da física como o modelo de todo saber seguro: teórico-experimental.

Toda doutrina, qualquer que ela seja, construída sobre este modelo, é dito teórico-experimental. Enquan­to as proposições fundamentais de uma doutrina dog­mática são denominadas dogmas (científicos, filosóficos ou religiosos), as de uma doutrina teórico-experimental são denominadas leis ou princípios fundamentais.

O dogmatismo foi banido de todas as ciências, primeiro da física e depois das outras, progressivamen­te, num processo que se completa em nossos dias. (As ciências só progrediram depois que sr tornaram teórico-experimentais.) No século 20 foi banido das matemá­ticas, com a descoberta das geometrias não-euclidianas e com a constituição da matemática moderna. Pelo mes­mo motivo e com o trabalho de Godel, relativo à axiomática, foi banido da filosofia. Com o Espiritismo, ele é banido da religião.

No dizer de Flammarion, o aparecimento do Es­piritismo é o fim dos dogmas religiosos ([3]. Discurso que Camille Flammarion...)

 

 

 

Objeto do Espiritismo

Em primeiro lugar, o Espiritismo estuda os fenô­menos espíritas: a telepatia, a vidência, as profecias, a evocação dos mortos, o movimento de objetos sem causa física observável, os chamados milagres e uma série de outros fenômenos, citados em todos os tempos, relatados por lendas, nas religiões e nas ciências ocultas. Estuda-os e investiga suas leis: é ciência de caráter teó­rico-experimental -  "É pois rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação".

Em segundo lugar, como conseqüência, estabelece nova forma de atacar os problemas filosóficos; refor­mula as noções religiosas: é uma doutrina de caráter filosófico e religioso.

É Ciência, Filosofia e Religião.

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